Angola

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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Calão em Angola


Se há uma coisa que realmente começo a gostar de estar aqui são as pessoas da terra, podem ter algumas questões sociais para resolver, podem nos causar grandes dores de cabeça no trabalho por não serem os mais rigorosos ou responsáveis, mas são na generalidade alegres, cheios de vida e vontade de viver sem grande stress, podíamos aprender algo com eles nesse aspecto. E é a conviver com a malta no trabalho e no dia á dia que agente aprende o calão, vamos aprender um pouco?
Eu curte bué o calão, sempre gostei, e aqui deliro com as novidades:
Kixikila – é uma forma de os trabalhadores se organizarem no fim do mês, 4 empregados juntam-se, e cada fim do mês um deles recebe o seu salário e metade do salário dos colegas, tem mais dinheiro nesse mês para compras etc., e esta acção vai rodando todos os meses, muito á frente para nós, não estou a ver ninguém ai na Tuga dar me 50% do salário.
Kilape – pode significar simplesmente fazer uma divida ou conta na mercearia, mas um Kilapeiro é um gajo que fica sempre a dever.
Candongueiro – Taxista das Hiaces, todos loucos, devem fumar daquilo que faz rir antes de pegarem nas viaturas ás 5 da matina.
Banga – Fazer de conta, ou armar-se. Por exemplo andar com um telemóvel que não funciona é fazer Banga.
Bailundo – Um bailundo é o que se chama de Bimbo por essas bandas.
Salo – Trabalho.
Cubicolo – Casa.
Cassulo – O mais novo da família é o cassulo.
Kota - É uma forma de respeito não significa só ser mais velho, ser Kota é ser respeitado.
Ndengue – Puto, ou alguém mais novo que nós, também podemos chamar ndengue a um amigo.
Kumbo – Dinheiro.
Mangwole – Um filho da terra, um Angolano.
Xara – Alguem com o mesmo nome, o machado e o molho são xaras, eheh….
Camba – Amigo da zona, um amigalhaço.
Tchilar – Divertir-se ou passar um bom bocado com a malta.
Paiado – Estar tramado ou com problemas.
Mboa, Dama – Namorada.
Grife – Roupinha da moda, ou de marca, é andar todo pipi.
Malaike – Significa Zangado ou tambem pode significar estar com um problema, depende do contexto.
Boiado – Estar bêbado, vê se muita malta boiada aos fins-de-semana.
Bilingue ou Jajão – Mentiroso ou intruja.
Ferve – Quem ferve tem dinheiro, muito dinheiro.
Karga – Dar karga é estar em alta, é ser bom, os músicos do kuduro dão karga nos colegas de profissão, são melhores.
Penteado – Isto acontece quando somos multados.
Gasosa – Isto também acontece, para não sermos multados, eheh…
Mambo – Coisa, fazer um mambo é fazer algo.
Cara, Folha – Uma nota de 100 Dólares é uma cara ou folha.
E por último (que me lembre) o mais importante, Não há maca – Isto eu oiço umas 100 vezes por dia, significa não há problema, não há chatice,... uma ponte cai e ninguém morre, não há maca, chegamos ao banco e não há sistema, não há maca.
Para se viver aqui é o lema, não há maca, é Angola.

domingo, 7 de junho de 2009

Bancos

Os bancos aqui são fabulosos, ninguém é responsável por nada, não há pressa para tratar de nenhum assunto dum cliente, chegam a enganar-se nos nºs de contas ao fazer transferências e por vezes simplesmente se esquecerem de as fazer.
Mas contudo, apesar de haver 2 ou 3 guardas á porta de metralhadora o ambiente dentro dum banco é de descontracção total, a malta aproveita as tomadas para pôr os telemóveis a carregar enquanto esperam para serem atendidos, os funcionários falam entre si sobre as notícias do dia, das namoradas, dos namorados, fazem chamadas telefónicas enquanto atendem os clientes, é o máximo…
No entanto, como costumo ir aos centros de empresa tratar dos meus assuntos, não me posso queixar nem de filas de espera, nem de falta de simpatia, muito pelo contrário, há sim um espírito de amizade que deveria haver mais em Portugal.
No entanto este fim do mês aconteceu algo digno de registo, como fui levantar o dinheiro para pagamento dos vencimentos do pessoal acabei (como todos os meses) por ir para um local junto do cofre onde fazem a contagem do dinheiro antes de nos entregar, e lá estava eu mais uns quantos clientes á espera dos montantes para levantamento, um funcionário com cada cliente a contar o dinheiro que cada um ia levantar, uns em Dólares outros em Kwanzas.
!º estamos mesmo ao lado do cofre do banco e o mesmo encontra-se aberto, muito giro.
2º Vamos para este local para ser privado e não sermos incomodados, mas claro quem está lá fora sabe que ali estão as trutas do papel, certo??? Acabamos por ficar ainda mais expostos e apelativos ao gamanço.
3º E este sim de partir o coco a rir, o pessoal que conta o dinheiro usa mascaras, para evitar a sujidade ou pó de contar notas o dia todo, não sei. Certo… até aqui tudo bem, mas quando olho para o lado e vejo um funcionário entrar e pôr a mascara ao contrário com o filtro virado para fora, simplesmente não me aguentei, desatei a rir que nem um perdido e tive de fingir estar a falar com alguém ao telefone, pior estava lá uma senhora que deve ter topado o mesmo e também se começou a rir…. Sim é verdade que neste dia estive 2 horas e 40 minutos no banco para fazer um levantamento e tratar de 2 papéis, mas foi um belo dia.

sábado, 6 de junho de 2009

Que tal um seguro?


Há muito que não escrevia algo neste meu espaço, em parte porque o trabalho é bastante e o cansaço de cabeça não me deixam com grande vontade, estou cá á 3 semanas desta vez e finalmente consegui pôr parcialmente o meu trabalho em dia de forma a desabafar e contar algumas peripécias.
Bem por onde começar? Há coisas que já passei aqui que nunca vou conseguir transmitir na íntegra, como por exemplo a questão de pagar um seguro, depois de algumas dificuldades para arranjar todos os papéis que são necessários, vem a parte mais engraçada.
Vamos fazer um seguro? É a coisa + simples do mundo, chegamos aos escritórios da seguradora XPTO, tiramos senha e ficamos a aguardar…. 10 minutos depois pergunto, porque será que o quadro das senhas não anda nem desanda? Resposta de um funcionário, ááá isso não trabalha á bué, tem de aguardar…mas, mas aguardar o quê? Que me chamem, que gritem o meu nº da senha D, esperar o quê? Resposta: esperar um pouco… ááá ok, isso eu sei, após “alguma” espera lá sou atendido (nem vou comentar o que é preciso para ser atendido), o Sr. passa-me uma factura com o valor do seguro pedido, pergunto eu, e agora? Agora vai pagar isso ao banco, mmm ok… saí e lá vou eu ao banquinho pagar, fila no banco e tal… pagamos e recebo o comprovativo de deposito. A seguir lá vou eu novamente á seguradora, ao caixa entregar o dito comprovativo onde irei receber o recibo de pagamento do seguro, depois de ser atendido nesta secção, mandam me ir ao edifício do outro lado da rua levantar o cartão referente ao dito seguro, vêm como não custa nada….quer dizer, ok, foi das 12:10 até á 13:40, mas sai de lá com o seguro feito.
O mais engraçado e é aqui que muitos vão ficar de boca aberta, isto tudo que voz contei foi só para pagar o meu seguro de saúde existente, sim existente, para fazer aquilo que ai nós fazemos por Multibanco ou transferência, e que as seguradoras ai enviam cartinhas com um mês de antecedência para a malta não se esquecer.
Agora imaginem a minha vidinha quando tenho de tratar de seguros de carros, de trabalho de viaturas, etc?
E sim a imagem não tem nada a ver com o texto, mas significa algo, aqui tudo é diferente daquilo que conhecemos.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Barra Do Kwanza


Mais fotos deste belo local só depois, hoje a net não lhe apetece colaborar aqui com a malta

Barra Do Kwanza


Barra do Kwanza,
Pois é finalmente um tempinho para escrevinhar algo no blog, o trabalho tem apertado, a vontade tem faltado, e que se lixe o resto das desculpas. Afinal vamos é falar de Angola, mais propriamente a Barra do Kwanza, para começar é uma viagem agradável a caminho do sul, quase sempre junto á costa a ver se o mar e outras belas paisagens, depois ainda temos a paragem no mirador da Lua para tirarmos umas fotos e esticar as pernas. Chegando á Barra do Kwanza, isto claro depois de ter levado uma coça na espinha dos buracos na estrada de picada até lá, a verdade é que eu estava á espera de mais, especialmente comparando com a barra do Dande por exemplo, o Kwanza é muito mais simples com muito pouca vida local, e apenas com 2 restaurantes um dos quais já abandonado, e o outro muito comercial com buffet e bungalows a 5 metros da água, bla bla bla, é giro para se passar um fim-de-semana sem duvida, mas prefiro a borbulhar da vida e o barulho de uma Barra do Dande, afinal de contas gosto de um bom hotel nas férias, mas adoro uma bela refeição numa tasca de Lisboa em boa companhia no dia á dia. A verdade é que esta zona foi bastante fatigada pela guerra, é aqui que há um posto de controlo onde antigamente só se podia passar com uma autorização tipo visto, era uma zona onde militavam os 2 exércitos um de cada lado do rio Kwanza, um local de muita importância militar por estar perto do mar o que facilitava alguns abastecimentos aos tropas, não admira que ainda poucos gostem de lá morar. Claro é uma zona linda em termos naturais e a água quente do mar convida a inúmeros mergulhos e a horas a boiar (será que há muitos tubarões ou crocodilos por ali?), foi mais um dia muito bem passado e deu para apanhar um escaldão. A viagem de volta foi sem peripécias mas com muito transito á chegada de Luanda, valeu a pena, mas para a próxima quero ir mais para sul para o Cabo Ledo a zona das Lagostas eheheh, e claro das ondas para surfar…

Sul 49

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

E para Luanda


Casa do Savimbi